A velha
escola
1949
Em
mais de 60 anos de vida, Francina Amaral conta-nos, sempre com um sorriso na
cara, como era a sua velha escola.
Há
momentos de nostalgia, alegria... uma entrevista cheia de emoção.
Entrevista
de Inês Ribeiro
Era muito diferente a escola em 1949?
(sorri) Totalmente diferente, em
vários aspetos, como na disciplina em sala de aula, no conteúdo que era dado,
nas instalações, nos horários, nas disciplinas. Era tudo muito diferente...
As disciplinas, quais eram?
Tínhamos português, matemática, estudo
do meio... agora não sei se há essa disciplina ou se tem esse nome, estou um
bocadinho desatualizada (ri-se) …
também tínhamos história e ciências, mas não sei se era só a partir do 3ºano …
acho que era.
E também tínhamos artes plásticas e educação física (ri-se). A disciplina preferida das raparigas, era artes plásticas e
dos rapazes, era educação física.
Havia
um professor para cada disciplina?
Achas?! (ri-se) não havia quase dinheiro para comprar um quilo de arroz! Não nós tínhamos uma professora para todas as disciplinas.
(Suspira) Era a professora Teresa Leitão, uma professora para vinte, vinte e
tais alunos… coitadinha (sorri)!
As turmas eram mistas?
Ah sim! Éramos raparigas e rapazes, todos juntos.
E os intervalos, como é que eram passados?
Os intervalos, era a parte que mais gostávamos (sorri). Quem levasse merenda comia, e
quando acabasse brincava, porque nas aulas não podíamos dar nem um pio, senão a
professora virava bicho (ri-se)!
Já estamos quase a acabar, mas se tivesse
de descrever a escola numa só palavra qual seria?
(silencio)
Ui é difícil. O nosso maior desejo era ir
para a escola. Ela representava momentos de alegria e convívio. Era nela que
nos refugiávamos e éramos crianças, brincávamos, ríamos porque, quando ela
acabasse, passávamos a adultos que trabalhavam e que tinham responsabilidades.
Mas
cresci muito na minha infância.

